Auá
21 04 2008Dia 19 de Abril.Dia do Índio.
Além dos cachimdos ,chocalhos e cocares lembro-me fielmente todos os anos do índio Galdino e a forma cruel como foi morto pelos filhinhos de papai que aqui moram.11 anos depois e a imagem dos imbecís ainda esta na minha cabeça mas ainda cabe uma pergunta:onde eles estão?Cumprindo pena?Ou com alguma espécie de desculpa libertatorial dessa Lei Brasileira infeliz?O que eu sei com toda a certeza é que o monumento em homenagem a Galdino permanece austéro na Asa Sul como uma marca dolorida no peito dessa nação.É incrível como depois de 500 e tantos anos de história ainda achamos que eles é que são os visitantes. Deixo esse poema de Gonçalves Dias que me faz lembrar minha imaginação infantil ao aprender sobre os índios ,que eram e ainda são heróis.
I-Juca Pirama IV
Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi:
Sou filho das selvas,
Nas selvas cresci;
Guerreiros, descendo
Da tribo tupi.
Da tribo pujante,
Que agora anda errante
Por fado inconstante,
Guerreiros, nasci;
Sou bravo, sou forte,
Sou filho do Norte;
Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi.
Já vi cruas brigas,
De tribos imigas,
E as duras fadigas
Da guerra provei;
Nas ondas mendaces
Senti pelas faces
Os silvos fugaces
Dos ventos que amei.
Andei longes terras
Lidei cruas guerras,
Vaguei pelas serras
Dos vis Aimoréis;
Vi lutas de bravos,
Vi fortes — escravos!
De estranhos ignavos
Calcados aos pés.
E os campos talados,
E os arcos quebrados,
E os piagas coitados
Já sem maracás;
E os meigos cantores,
Servindo a senhores,
Que vinham traidores,
Com mostras de paz.